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Feriado de 12 de outubro pode elevar vendas em até 30%

Levantamento da Abrasel aponta expectativa de alta no faturamento em diferentes regiões. Para transformar movimento em resultado, planejamento operacional e controle de margem são decisivos.

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SetorFood
4 min de leitura · 10 out 2026
Equipe de restaurante organiza a operação enquanto clientes chegam para o feriado. — Foto: 🇻🇳🇻🇳Nguyễn Tiến Thịnh 🇻🇳🇻🇳 (Pexels)
Equipe de restaurante organiza a operação enquanto clientes chegam para o feriado. — Foto: 🇻🇳🇻🇳Nguyễn Tiến Thịnh 🇻🇳🇻🇳 (Pexels)

Feriado amplia a oportunidade, mas não garante lucro

Bares e restaurantes de diferentes regiões do país esperam faturar mais no feriado de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro. Levantamento da Abrasel aponta projeções de alta entre 10% e 30% em relação a um fim de semana comum. O resultado, porém, depende do destino, do perfil do negócio e de fatores como o clima.

Para o gestor, a notícia é um sinal para se preparar — não uma garantia de vendas. Mais clientes podem significar mais receita, mas também elevam a pressão sobre equipe, cozinha, compras e atendimento. Se o estabelecimento não dimensionar a operação ou vender com margem insuficiente, o movimento extra pode não se converter em resultado.

A diferença entre faturamento e lucro merece atenção especial. A própria Abrasel ressalta que o consumidor está mais cauteloso: em agosto, 38% dos estabelecimentos consultados registraram queda no faturamento ante julho, embora as vendas tenham avançado 7,4% na comparação com agosto do ano anterior. Nesse contexto, aproveitar datas de maior circulação exige olhar além do salão cheio.

As projeções variam por região

Os números divulgados pela Abrasel mostram expectativas distintas. No Rio de Janeiro, a estimativa é de alta de 10% se chover e de até 20% com tempo firme. Na Bahia, alguns negócios projetam crescimento de até 30%. No Rio Grande do Norte, a faixa esperada vai de 20% a 25%; no Ceará, a previsão é de aproximadamente 10%. Na Serra Gaúcha, a expectativa fica entre 10% e 20%.

A possibilidade de viagens curtas também favorece destinos turísticos. Em Gramado, no Rio Grande do Sul, o chef Fabiano Padilha, do restaurante Di Pietro, relatou à Abrasel que a casa se prepara para receber mais visitantes, com equipe alinhada e operação pronta. No Rio Grande do Norte, informação publicada pelo Agora RN aponta que a ocupação hoteleira em Natal pode chegar a 90%, conforme levantamento da ABIH-RN. O dado reforça a expectativa de demanda relacionada ao turismo, mas não significa que todos os restaurantes terão o mesmo desempenho.

Para estabelecimentos em áreas turísticas, esse cenário pode justificar atenção a horários de pico, reservas, atendimento a grupos e disponibilidade de pratos mais procurados. Já negócios dependentes de clientes locais devem avaliar se o feriado altera os hábitos do público habitual ou se a procura tende a se concentrar em outras regiões.

Como transformar fluxo em operação bem dimensionada

O primeiro passo é estimar a demanda com base no histórico do próprio negócio: movimento em feriados anteriores, reservas já confirmadas, vendas por faixa horária e comportamento do público. A projeção nacional serve como referência, mas não substitui esses dados. Se a previsão do tempo interfere no movimento — como no caso do Rio de Janeiro —, vale preparar cenários diferentes, sem comprar como se a melhor hipótese fosse certa.

Com uma estimativa de clientes, o gestor pode revisar capacidade de atendimento e produção. A ferramenta de capacidade de produção ajuda a relacionar o volume esperado à estrutura disponível. A pergunta prática é: cozinha, salão e equipe conseguem atender esse fluxo sem comprometer tempo de espera e padrão dos pratos?

A partir daí, ajuste a escala e as compras com critério. Reforce os horários ou funções que tendem a concentrar demanda, se isso fizer sentido para a operação. Para os insumos, considere o estoque disponível, o prazo de reposição e a possibilidade de sobra após o feriado. A ferramenta de estoque mínimo pode apoiar o cálculo da reposição, mas a decisão deve levar em conta a previsão realista de vendas e a perecibilidade de cada item.

Também vale revisar o cardápio antes de ampliar compras ou lançar ofertas. Pratos com preparo mais complexo podem limitar a capacidade da cozinha nos períodos de pico. Uma seleção enxuta de itens com boa saída e execução previsível pode ajudar a manter o ritmo, desde que preserve a identidade e a proposta da casa. Não é necessário criar uma promoção apenas porque há feriado: descontos sem cálculo podem aumentar o volume e reduzir a margem.

Faturar mais não é o mesmo que ganhar mais

Antes de divulgar combos, descontos ou ações para atrair público, confira quanto cada venda contribui para pagar os custos e gerar resultado. A calculadora de CMV ajuda a avaliar o custo dos ingredientes em relação ao preço de venda. Esse cálculo pode indicar se uma oferta é viável ou se o preço precisa ser revisto.

Acompanhe, durante o feriado, indicadores simples: número de clientes, vendas por período, itens mais pedidos, tempo de espera e produtos que faltaram ou sobraram. Depois, compare o desempenho com a previsão e com um fim de semana habitual. Essa análise permite ajustar a próxima escala, o volume de compras e a comunicação comercial com base no que aconteceu, em vez de depender apenas de expectativas.

O feriado de 12 de outubro pode trazer uma oportunidade relevante, sobretudo para negócios próximos a atrações turísticas e áreas de circulação de visitantes. Mas a projeção de alta não deve ser tratada como receita certa. Para o gestor, o melhor resultado virá de combinar preparação proporcional à demanda, controle de custos e acompanhamento próximo da operação. O objetivo não é apenas receber mais gente: é atender bem, evitar desperdícios e proteger a margem.

Fontes

Perguntas frequentes

Qual é a expectativa de alta no faturamento para o feriado?

A Abrasel aponta projeções de 10% a 30% em relação a um fim de semana comum, com variação conforme a região, o perfil do estabelecimento e o clima.

A projeção da Abrasel vale para todos os restaurantes?

Não. É uma estimativa que varia por destino e tipo de negócio. O gestor deve considerar o histórico e as condições específicas da própria operação.

Como evitar que o aumento de movimento reduza a margem?

Dimensione equipe e compras com base na demanda provável, acompanhe o custo dos pratos e avalie cuidadosamente descontos e promoções.

O que um restaurante deve acompanhar durante o feriado?

Número de clientes, vendas por horário, itens mais pedidos, tempo de espera e falta ou sobra de produtos são indicadores úteis para avaliar a operação.

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