
O consumidor que escolhe onde comer fora de casa considera mais de um fator: preço, saúde, conveniência, memória afetiva e possibilidade de adaptar a refeição. Essa é a leitura apresentada pela Galunion durante o evento Galunion Insights 2026, com base em pesquisas da consultoria e análises de mercado nacional e internacional.
Para 2027, a consultoria mapeou oito tendências para alimentos e bebidas. Os dados não garantem que uma novidade terá procura em todos os bairros ou formatos de negócio. Para o gestor, servem como sinais para formular hipóteses, observar os próprios clientes e testar mudanças com controle de custo e execução.
Preço importa, mas não é o único critério
A pesquisa da Galunion citada por *Pequenas Empresas & Grandes Negócios* informa que 74% dos consumidores reduziram o orçamento destinado a comer fora nos seis meses anteriores ao levantamento. Ao mesmo tempo, 51% disseram consumir ou ter interesse em consumir mais produtos com melhor preço ou custo-benefício.
A implicação para o restaurante não é simplesmente baixar preços. Promoções sem cálculo podem aumentar o movimento e comprometer a margem. A consultoria aponta alternativas como combos, porções ajustadas e outros formatos, desde que o estabelecimento equilibre preço, composição, produtividade e valor percebido.
Antes de mexer no cardápio, calcule quanto cada item realmente custa e que margem deixa. A calculadora de custo por porção ajuda a avaliar tamanhos diferentes; a ferramenta de precificação pode apoiar a revisão do preço de venda. A decisão deve considerar também a capacidade da cozinha e o papel do produto no conjunto do menu.
Saúde, flexibilidade e porções adaptáveis
Saudabilidade aparece associada a prazer, não como seu oposto. Segundo os dados apresentados pela Galunion, 71% dos consumidores estão mais preocupados em se alimentar de forma saudável. Entre os atributos valorizados por quem escolhe alimentos saudáveis, 63% mencionaram ingredientes ou produtos naturais e 58%, produtos frescos.
Isso não significa que todo estabelecimento precise criar uma linha extensa de pratos especiais. Uma alternativa é identificar ajustes viáveis na oferta atual: opções com ingredientes frescos, substituições possíveis ou informação mais clara sobre a composição. Qualquer mudança precisa caber na rotina da cozinha e ser comunicada sem prometer benefícios que o produto não pode comprovar.
A personalização também pode estar no tamanho da refeição. De acordo com a pesquisa, 74% teriam mais vontade de comprar uma refeição ou lanche fora de casa se pudessem escolher o tamanho da porção. Versões menores ou mais simples aumentariam a intenção de compra para 55% dos entrevistados; entre usuários de medicamentos análogos de GLP-1, o percentual informado foi de 61%.
Para o operador, oferecer tamanhos diferentes pode atender ocasiões e apetites distintos, mas exige revisar preço, rendimento e padrão de montagem. Não basta cobrar proporcionalmente menos sem conferir o custo real: algumas despesas e etapas de preparo não diminuem na mesma proporção. O teste deve medir aceitação, impacto na produção e margem de cada opção.
Memória afetiva, sensorialidade e identidade local
Receitas familiares, sabores conhecidos e apresentações que remetem a outras épocas podem reforçar a conexão com a casa. Produtos ligados a conforto e nostalgia foram citados por 31% dos consumidores como itens que já consomem ou gostariam de consumir mais. Na classe A, o índice informado foi de 40%.
A tendência não exige transformar o cardápio em uma coleção de releituras. Um prato tradicional bem executado, um acompanhamento conhecido ou uma sobremesa com referência local podem ser suficientes — se fizerem sentido para a clientela. A equipe também precisa conseguir reproduzir a receita com consistência.
A experiência sensorial é outra frente: textura, aroma, temperatura, cor e contraste podem diferenciar um produto. No levantamento, 22% mencionaram consumir ou ter interesse em consumir com mais frequência itens com texturas, cores e sabores variados e intensos. O dado sugere espaço para experimentar, mas reforça a importância dos insumos e da execução. Uma proposta que depende de crocância, por exemplo, precisa chegar ao cliente com essa característica preservada.
A brasilidade amplia essa discussão. Produtos associados à cultura brasileira foram citados por 25% dos consumidores como itens que já consomem ou gostariam de consumir mais. A recomendação destacada por especialistas ouvidos no evento é olhar para os hábitos da própria comunidade, em vez de importar referências sem adaptação. Ingredientes e preparações regionais podem ser ponto de partida para um produto relevante, desde que haja conhecimento sobre sua origem e viabilidade de fornecimento.
Bebidas e repertórios culturais abrem ocasiões
A bebida pode deixar de ser apenas acompanhamento e ocupar ocasiões em que o cliente busca algo rápido ou diferente. Os dados apresentados indicam que 58% dos consumidores substituem ao menos uma refeição diária por uma bebida; entre usuários de GLP-1, o índice chega a 82%. Esses percentuais descrevem os entrevistados da pesquisa e não devem ser tratados como previsão automática de vendas para cada operação.
Para avaliar a oportunidade, o gestor pode começar com um teste limitado: observar quais horários fazem sentido, estimar o custo dos ingredientes, definir uma apresentação que suporte o serviço e acompanhar a procura. A proposta precisa ser coerente com o posicionamento da casa e não deve ser anunciada como substituta nutricional de uma refeição sem base adequada.
O estudo também identifica interesse por sabores de outras culturas e por comidas típicas de destinos. Ingredientes étnicos e sabores de outros países foram citados por 20% dos consumidores como itens que gostariam de consumir com maior frequência; comida típica do destino, por 32%. Para restaurantes em áreas turísticas, isso pode reforçar a importância de destacar preparações locais. Em outros contextos, combinações de referências culturais podem ser exploradas com cuidado e respeito às origens.
Como transformar tendências em decisões
Os oito sinais — custo-benefício, saúde, flexibilidade, nostalgia, estímulo sensorial, bebidas, brasilidade e culturas à mesa — não são uma lista de lançamentos obrigatórios. São caminhos possíveis para investigar o que tem valor para o público de cada negócio.
Uma forma prática de avançar é escolher uma hipótese por vez e testar em escala compatível com a operação. Antes de lançar, defina o público e a ocasião; estime custo e preço; estabeleça como a equipe vai preparar e apresentar o item; e acompanhe vendas, desperdício e retorno dos clientes. Compare o resultado com produtos semelhantes e avalie se a novidade melhora a oferta sem criar complexidade desnecessária.
A ferramenta de engenharia de cardápio pode ajudar a relacionar desempenho dos itens e decisões de menu. Combinada a fichas e custos confiáveis, essa análise permite separar uma tendência que conversa com o negócio de uma ideia atraente, mas difícil de sustentar. Em 2027, acompanhar o consumidor será importante; transformar essa leitura em uma operação rentável e consistente será o trabalho do gestor.
Fontes
Perguntas frequentes
Quais tendências de alimentos e bebidas foram apontadas para 2027?
A Galunion identificou custo-benefício, saúde, flexibilidade, nostalgia, sensorialidade, bebidas como protagonistas, brasilidade e valorização de diferentes culturas à mesa.
O que os dados sobre custo-benefício significam para restaurantes?
Que há procura por ofertas acessíveis, mas reduzir preços não é a única resposta. Combos e porções ajustadas devem ser avaliados junto com custos, produtividade e margem.
Vale a pena oferecer porções menores?
Pode ser uma hipótese de teste. O gestor deve calcular custo e preço de cada tamanho e acompanhar aceitação, impacto na produção e rentabilidade.
Como um restaurante pode aproveitar a tendência de brasilidade?
Observando ingredientes, receitas e hábitos da comunidade que atende, e avaliando se uma proposta local é viável de preparar e coerente com o cardápio.
Ferramentas para aplicar este artigo
- Custo por Porção →
Custo unitário de uma porção servida.
- Preço de Venda →
Markup, custo, despesas e margem desejada.
- Engenharia de Cardápio →
Estrela, vaca leiteira, abacaxi, cachorro.


