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iFood movimentou R$ 8,4 bi no Rio: o que o dado revela

Estudo da Fipe aponta que o ecossistema do iFood movimentou R$ 8,4 bilhões no estado em 2025. Para o gestor, o dado é sinal de oportunidade — e de atenção às margens.

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SetorFood
5 min de leitura · 13 out 2026
Gestor de restaurante acompanha pedidos em um tablet enquanto a equipe trabalha na cozinha. — Foto: Mikhail Nilov (Pexels)
Gestor de restaurante acompanha pedidos em um tablet enquanto a equipe trabalha na cozinha. — Foto: Mikhail Nilov (Pexels)

O peso do delivery no mercado fluminense

O ecossistema do iFood movimentou R$ 8,4 bilhões no estado do Rio de Janeiro em 2025, o equivalente a 0,61% do PIB fluminense. Os números são de estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apresentado pela plataforma durante o evento iFood Move. Segundo o levantamento, a operação também impulsionou e manteve mais de 102 mil postos de trabalho diretos e indiretos na cadeia produtiva local.

O dado dimensiona a presença do delivery na economia do estado, mas precisa ser interpretado com cuidado. Valor movimentado não é sinônimo de faturamento líquido dos restaurantes, muito menos de lucro. O montante se refere ao ecossistema da plataforma, e não informa quanto ficou com cada estabelecimento depois de custos, comissões, tributos e despesas de operação.

Para o gestor, a conclusão prática não é simplesmente “entrar no aplicativo” ou ampliar descontos. É entender se o canal traz vendas incrementais, quais itens funcionam nele e quanto cada pedido contribui para pagar a estrutura do negócio.

Consumo cresce e horários se diversificam

O mapeamento divulgado pela empresa aponta crescimento superior a 11% no consumo pelo aplicativo no Rio no último ano. Entre as culinárias com maior avanço nos pedidos estão a paranaense, com 36%; a baiana, com 32%; a coreana, com 31%; e a típica do Norte, com 25%.

Essas variações não garantem o mesmo resultado para todo restaurante. São tendências observadas na plataforma, não uma previsão de demanda para cada bairro, público ou tipo de operação. Ainda assim, podem servir como ponto de partida para testar pratos, combinações ou comunicação, desde que o estabelecimento valide a procura na própria base de clientes.

Outra mudança destacada foi o avanço do café da manhã: entre 6h e 10h, o consumo dessa refeição no aplicativo cresceu mais de 30%. Para quem já abre nesse período, vale avaliar se o cardápio, a equipe e a produção estão preparados para atender pedidos sem comprometer os demais serviços. Para quem não opera pela manhã, a oportunidade só faz sentido se houver demanda local e se os custos de abrir mais cedo forem cobertos.

Hambúrgueres lideraram em volume de pedidos entre as categorias de restaurantes citadas, com expansão superior a 11%. Açaí permaneceu na segunda posição, e a categoria saudável ficou em terceiro lugar. Os dados ajudam a enxergar a composição da demanda, mas não dizem quais pratos têm maior margem nem se a disputa nessas categorias é viável para um novo negócio.

Como transformar tendência em decisão

Antes de alterar o cardápio ou ampliar horários, o gestor pode:

  • comparar pedidos por produto, faixa horária e região, usando os registros do próprio negócio;
  • testar poucas opções por tempo limitado, em vez de reformular toda a oferta;
  • acompanhar o custo dos ingredientes, embalagem e mão de obra associados a cada item;
  • medir o resultado depois de taxas, promoções e demais despesas do canal.

A ferramenta de Food Cost ajuda a relacionar o custo dos insumos com o preço de venda. Já o simulador de Ticket Médio pode apoiar a análise do valor médio dos pedidos. Nenhum indicador isolado decide se um item deve permanecer no cardápio: é preciso cruzar procura, capacidade de produção e contribuição financeira.

Crédito: acesso não substitui planejamento

Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o iFood concedeu R$ 87 milhões em crédito a restaurantes do Rio e informou que havia R$ 511,8 milhões pré-aprovados disponíveis para negócios locais. A empresa também afirma que usa informações de desempenho no aplicativo, como revisitas e avaliações, na análise de crédito.

O tema importa para um setor que pode enfrentar dificuldade para obter recursos pelos meios tradicionais. Pesquisa Ipsos-Ipec encomendada pelo iFood Pago, em janeiro de 2026, aponta que 63% dos empreendedores que acessaram crédito pela plataforma não conseguiram aprovação no sistema financeiro tradicional. A mesma pesquisa informa que 77% dos tomadores entrevistados disseram que seus negócios progrediram após iniciar a parceria, e que 82% acreditam em impacto positivo dos serviços no futuro da operação.

Esses percentuais refletem respostas de usuários e uma pesquisa encomendada pela própria empresa; não demonstram, por si só, que o crédito causou a melhora relatada, nem que o resultado se repetirá em outros restaurantes. A oferta de crédito deve ser avaliada pelas condições, pelo custo total e pela capacidade real de pagamento.

Antes de contratar, projete parcelas e vencimentos em relação às entradas e saídas previstas. A ferramenta de Fluxo de Caixa pode ajudar a visualizar se a dívida cabe nos meses mais apertados. Se o recurso financiar equipamentos, reforma ou expansão, estime também como o investimento poderá gerar caixa — sem tratar aumento de vendas como garantido.

Escala nacional, decisões locais

No Brasil, o iFood informou ter alcançado R$ 167 bilhões em valor transacionado em 2025, equivalente a 0,70% do PIB nacional, e apoiado a criação de 1,18 milhão de postos de trabalho no país. Os números ajudam a compreender a dimensão econômica da plataforma, mas não medem a rentabilidade de cada restaurante nem permitem comparar diretamente negócios de portes e regiões diferentes.

O recado para o gestor é usar essas informações como contexto, não como plano pronto. O crescimento do canal e a diversidade de hábitos podem abrir espaço para novos produtos e horários. A decisão de investir, porém, deve partir dos dados da própria operação: demanda observada, custo por pedido, capacidade de atendimento e caixa disponível. Em delivery, vender mais só fortalece o negócio quando cada venda também faz sentido nas contas.

Fontes

Perguntas frequentes

O que significa o iFood ter movimentado R$ 8,4 bilhões no Rio?

Segundo estudo da Fipe divulgado pelo iFood, esse foi o valor movimentado pelo ecossistema da plataforma no estado em 2025. O número não representa o faturamento líquido nem o lucro dos restaurantes.

Quais tendências de consumo foram destacadas no Rio?

O levantamento apontou crescimento superior a 11% no consumo pelo aplicativo, avanço do café da manhã entre 6h e 10h e aumento de pedidos em culinárias como a paranaense, a baiana, a coreana e a típica do Norte.

O crescimento do delivery significa que todo restaurante deve entrar no aplicativo?

Não. Cada negócio deve avaliar a demanda local, os custos do canal, a capacidade de produção e a contribuição financeira dos pedidos antes de decidir.

Como avaliar se um crédito para o restaurante é viável?

Compare o custo total e as condições do crédito com o caixa projetado, incluindo parcelas e vencimentos. Também estime de que forma o investimento pode apoiar a operação, sem presumir aumento de vendas.

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