
Concorrência no delivery também se disputa fora das capitais
A disputa entre plataformas de entrega ganhou um novo capítulo no interior do país. O aiqfome, aplicativo do grupo Magalu, apresentou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma representação contra o iFood. A denúncia, feita em fevereiro de 2026, ainda está em análise, segundo as informações publicadas pela *Pequenas Empresas & Grandes Negócios*. Portanto, não se trata de uma decisão do órgão nem de uma conclusão sobre a conduta da plataforma.
A discussão importa para restaurantes porque as regras e a força de cada aplicativo podem influenciar a visibilidade, as condições comerciais e o acesso aos clientes. Mas, enquanto o Cade avalia o caso, o gestor precisa tomar decisões imediatas: entender quanto cada canal custa, quais clientes traz e se as vendas geradas são rentáveis.
O aiqfome afirma que o acordo firmado entre o iFood e o Cade em 2023 não abrangeu cidades menores, pois se aplicava a municípios com mais de 500 mil habitantes e a redes com pelo menos 30 unidades. Em nota reproduzida pela reportagem, o iFood disse que sua atuação está concentrada nos grandes centros urbanos. A extensão e os efeitos da representação dependem da análise do órgão.
O interior tem dinâmica própria
O aiqfome cresceu fora das capitais e, conforme os dados apresentados pela empresa à PEGN, está em mais de 700 cidades, reúne 8 milhões de usuários e tem mais de 30 mil restaurantes cadastrados. A companhia informa ainda uma média superior a 2 milhões de pedidos por mês. Esses números ajudam a dimensionar a relevância da operação, mas não indicam, por si só, qual aplicativo é mais vantajoso para cada estabelecimento ou cidade.
O CEO e cofundador Igor Remigio relatou que a chegada do iFood a cidades menores pressionou a empresa e que o relacionamento com os restaurantes ajudou a manter sua presença. A reportagem também destaca que o aiqfome oferece condições de fidelidade, como promoções exclusivas em troca de destaque e taxas menores, mas, segundo Remigio, não cobra multa de saída.
Para o restaurante, o ponto central não é apenas escolher entre exclusividade e liberdade. É saber o que se recebe em troca de uma condição comercial e por quanto tempo. Mais exposição pode contribuir para as vendas, mas uma promoção ou taxa reduzida só é interessante se o resultado final compensar o custo e não comprometer a margem de contribuição.
Compare o resultado, não apenas o volume de pedidos
Antes de aderir a uma campanha exclusiva, calcule o efeito do desconto sobre o preço recebido e inclua os demais custos variáveis da venda. A ferramenta de simulação de promoções pode ajudar a estimar se a oferta faz sentido para o caixa, em vez de avaliar a ação somente pelo aumento de pedidos.
Também vale comparar canais com os mesmos critérios: valor líquido recebido, custos de embalagem e operação, participação em promoções e capacidade de atender a demanda. O simulador de lucro ajuda a visualizar como alterações em vendas e despesas afetam o resultado. O cálculo não substitui a análise do contrato, mas dá ao gestor uma base mais consistente para negociar.
Plataformas regionais tentam ganhar escala em conjunto
Outra frente da disputa é a cooperação entre aplicativos locais. Nove empresas formaram o Hub Raiz, coalizão que, segundo a reportagem, alcança 24 estados e 1,2 mil cidades e reúne 700 restaurantes cadastrados. A proposta é facilitar a integração de redes: ao se cadastrar em um dos aplicativos participantes, o estabelecimento também pode ser conectado aos demais. A iniciativa busca ampliar a capilaridade sem que as empresas precisem se fundir.
Para restaurantes e bares, uma integração desse tipo pode representar acesso a mais de um canal a partir de um cadastro. Ainda assim, estar presente em várias vitrines não garante mais pedidos nem maior lucro. O estabelecimento deve verificar como funcionam a atualização de cardápio e preços, a gestão de disponibilidade, o atendimento a reclamações e a conciliação dos repasses. Também precisa confirmar quais condições comerciais se aplicam em cada plataforma.
A reportagem informa que o aiqfome opera com mais de 30 mil restaurantes, enquanto o Hub Raiz registra 700 estabelecimentos cadastrados. Os números se referem a contextos distintos e não devem ser comparados como se medissem o mesmo tipo de alcance ou a mesma etapa de operação.
Magalu amplia a estratégia para outras cidades
A movimentação ocorre junto ao lançamento do Magalu Delivery, serviço integrado ao aplicativo da varejista e voltado a entregas rápidas nas categorias de alimentação, mercado e farmácia. De acordo com Remigio, a operação estava disponível em 400 cidades, e a divulgação deveria acelerar no último trimestre de 2026. O aiqfome, segundo o executivo, seguirá independente e concentrado no interior, enquanto a marca Magalu Delivery será usada na expansão em grandes centros e em localidades onde o grupo vê espaço para crescer.
O CEO afirmou que as bases de consumidores das duas plataformas têm 30% de sobreposição. A informação sugere que há públicos compartilhados, mas também não permite concluir que um canal substituirá o outro ou que o alcance combinado se traduza automaticamente em vendas adicionais para cada restaurante.
Para o gestor, a expansão reforça a necessidade de tratar o delivery como um canal de vendas com indicadores próprios. Acompanhe pedidos, tíquete, cancelamentos, descontos financiados pelo estabelecimento e valor líquido recebido por aplicativo. Faça essa leitura por período e por produto: um canal pode ser importante para atrair clientes, mas determinadas ofertas ou itens podem não cobrir seus custos.
O que fazer enquanto o Cade analisa o caso
A representação ainda está sob análise, e o desfecho não deve ser antecipado. Enquanto isso, o restaurante pode reduzir a dependência de decisões tomadas pelas plataformas com ações práticas:
- Revise os contratos: identifique exclusividades, prazos, condições para obter destaque e regras de saída.
- Calcule a rentabilidade por canal: não confunda faturamento bruto com receita que efetivamente sobra após os custos da venda.
- Negocie com dados: leve histórico de pedidos, desempenho de campanhas e disponibilidade operacional para conversar sobre taxas e exposição.
- Mantenha informações consistentes: atualize preços, disponibilidade e descrições dos produtos em todos os canais utilizados.
- Avalie alternativas sem dispersar a operação: cada aplicativo adicional exige acompanhamento de pedidos, atendimento e conciliação financeira.
A concorrência entre plataformas pode abrir opções de negociação, sobretudo em mercados regionais. Mas a vantagem não vem apenas de cadastrar o restaurante em mais aplicativos. Ela depende de comparar condições, preservar a margem e entender quais canais realmente atendem aos objetivos do negócio.
Fontes
Perguntas frequentes
O Cade já decidiu sobre a representação do aiqfome contra o iFood?
Não. Segundo a reportagem da PEGN, a denúncia feita em fevereiro de 2026 está em análise pelo Cade.
O que o restaurante deve observar em uma cláusula de fidelidade?
Confira o que recebe em troca, como destaque ou taxas menores, quais promoções precisa oferecer, a duração da condição e as regras para sair do acordo.
Estar em mais aplicativos de delivery aumenta o lucro?
Não necessariamente. Compare custos, descontos, valor líquido recebido e esforço operacional de cada canal antes de decidir.
O que é o Hub Raiz?
É uma coalizão de nove aplicativos regionais que, segundo a reportagem, busca conectar restaurantes às plataformas participantes e ampliar a integração de redes.
Ferramentas para aplicar este artigo
- Simulador de Promoção →
Margem antes e depois do desconto.
- Simulador de Lucro →
Projete o lucro com diferentes cenários de venda.


