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Congresso da Abrasel: o que o gestor de restaurante precisa levar

A Abrasel reúne donos e gestores para debater os principais desafios do setor. Entenda o que está em jogo e o que fazer antes, durante e depois do evento.

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SetorFood
6 min de leitura · 24 maio 2026
Plateia de gestores e donos de restaurantes em congresso do setor de food service, atentos a apresentação no palco
Plateia de gestores e donos de restaurantes em congresso do setor de food service, atentos a apresentação no palco

O Congresso da Abrasel está na agenda do setor de alimentação fora do lar como um dos encontros mais relevantes para quem opera restaurantes, bares e negócios de food service no Brasil. O tema central — gestão, inovação e desafios do setor — não poderia ser mais oportuno: o ambiente de negócios em 2026 exige que o gestor tome decisões cada vez mais rápidas, com menos margem para erro.

Mas o que, concretamente, está na pauta? E o que o dono de restaurante deve fazer com o que aprender lá?

O contexto que torna este congresso urgente

Enquanto a Abrasel prepara sua programação no Brasil, o maior evento do setor nos Estados Unidos — o National Restaurant Association Show, realizado em maio de 2026 em Chicago — trouxe um diagnóstico que ressoa diretamente na realidade brasileira: o mercado de alimentação está se dividindo em dois mundos completamente diferentes.

Editorialistas do Chicago Tribune descreveram o fenômeno como uma "economia em K": uma fatia menor da população está gastando mais, sustentando negócios premium e de experiência elevada, enquanto a maior parte está com o orçamento apertado e reduzindo o consumo fora de casa. O detalhe que preocupa é que esses dois grupos estão se distanciando em velocidade crescente — não convergindo.

No Brasil, o cenário tem suas próprias nuances, mas a lógica é reconhecível. A polarização de consumo já é visível nos dados de movimento de diferentes segmentos: restaurantes de ticket mais alto relatam ocupação firme, enquanto operações de ticket médio sentem pressão de todos os lados — custos em alta, cliente mais seletivo, concorrência acirrada.

Gestão: o tema que nunca sai de moda — e por quê

Quando a Abrasel coloca "gestão" no centro do congresso, não é por falta de criatividade. É porque a maioria dos restaurantes brasileiros ainda opera com processos informais, controles frouxos e decisões baseadas em intuição.

Isso não é julgamento: é a realidade de um setor historicamente formado por empreendedores que chegaram pela cozinha, pela paixão pela gastronomia ou pela necessidade de renda — não pela formação em administração. O resultado é que muitos negócios funcionam bem no dia a dia, mas não sabem ao certo se estão lucrativos, qual prato sustenta a operação e qual drena o caixa.

Alguns pontos que costumam dominar as discussões de gestão em eventos do setor:

  • Controle de custos em tempo real: saber o food cost de cada item do cardápio, não apenas uma média geral
  • Precificação baseada em dados: preço que cobre custos, paga a operação e ainda gera margem — não preço que "parece certo"
  • Ponto de equilíbrio claro: quantas mesas, quantos pedidos, qual faturamento mínimo para não operar no vermelho
  • Fluxo de caixa projetado: antecipar meses fracos em vez de ser surpreendido por eles

Se você ainda não tem clareza sobre esses números, ferramentas como a Calculadora de Food Cost, o Simulador de Ponto de Equilíbrio e o Fluxo de Caixa do SetorFood podem ser um ponto de partida antes mesmo do congresso.

Inovação: robôs, IA e o que isso tem a ver com o seu restaurante

O National Restaurant Association Show de 2026 exibiu robôs baristas servindo café com a foto do cliente impressa na espuma e máquinas autônomas produzindo niguiri. A empresa Panbotica Technology Co. apresentou o Orbista, um robô de atendimento com inteligência artificial. A AUTEC mostrou um equipamento automatizado de preparo de sushi.

Isso vai chegar ao Brasil? Parte já está chegando. Mas o ponto mais importante para o gestor médio não é comprar um robô — é entender por que essas tecnologias estão sendo adotadas.

A resposta é simples: custo de mão de obra, consistência e velocidade. Nos EUA, como no Brasil, o custo com pessoal é um dos maiores da operação e um dos mais difíceis de controlar. A automação entra como resposta a essa pressão.

Para quem não está pronto para investir em automação física, a inovação acessível passa por:

  • Sistemas de gestão integrados (PDV com controle de estoque e CMV automático)
  • Cardápios digitais com análise de performance por item
  • Automação de marketing e relacionamento com cliente
  • Ferramentas de engenharia de cardápio para identificar quais pratos vender mais e quais cortar

A Engenharia de Cardápio é um bom exemplo de como tecnologia simples pode gerar resultado imediato: ao classificar seus pratos por rentabilidade e popularidade, você toma decisões de cardápio com base em dados, não em achismo.

Os desafios que a pauta do congresso não pode ignorar

Além de gestão e inovação, o terceiro pilar — desafios — é onde as discussões tendem a ser mais francas.

O setor de food service no Brasil enfrenta uma combinação de pressões que tornam a operação mais complexa do que era há cinco anos:

Custos crescentes e margens comprimidas

Insumos, energia, embalagens e mão de obra subiram de forma consistente. A capacidade de repassar esses custos ao preço final é limitada pela sensibilidade do consumidor. O resultado é uma margem que encolhe sem que o gestor necessariamente perceba — até que o caixa aperte.

Revisar a precificação e o markup de forma periódica deixou de ser opcional.

Retenção de equipe

A rotatividade no setor é estruturalmente alta. Treinamento constante tem custo. A escassez de mão de obra qualificada em algumas funções — especialmente cozinheiros experientes — é real em várias regiões do país.

Mudança no comportamento do consumidor

O cliente de 2026 pesquisa antes de sair de casa, compara preços, lê avaliações e tem alternativas de delivery a um clique. A experiência dentro do restaurante precisa justificar o deslocamento.

O que fazer com tudo isso

Congressos são valiosos quando geram ação, não apenas inspiração. Para aproveitar bem o Congresso da Abrasel — seja presencialmente ou acompanhando a cobertura —, vale uma postura ativa:

  1. Vá com perguntas específicas, não genéricas. "Como reduzir custos" é vago. "Como estruturar um controle de CMV em uma operação com 80 itens no cardápio" é acionável.
  2. Anote o que é aplicável na sua realidade, não o que seria ideal em uma operação perfeita.
  3. Defina no máximo três mudanças que você vai implementar nos 30 dias seguintes ao evento.
  4. Conecte-se com outros gestores. A troca horizontal — entre pares, não apenas com palestrantes — costuma ser a parte mais valiosa desses encontros.

O setor de alimentação no Brasil é resiliente, mas a resiliência sem gestão estruturada tem um prazo de validade. O congresso da Abrasel é uma oportunidade de encurtar a distância entre o restaurante que sobrevive e o que prospera.

Fontes

Foto: Reza Tavakoli (Pexels)

Perguntas frequentes

O Congresso da Abrasel é voltado apenas para grandes redes ou também para pequenos restaurantes?

O evento é voltado para todo o setor de alimentação fora do lar, incluindo pequenos e médios estabelecimentos. A Abrasel representa desde bares de bairro até redes nacionais, e a programação costuma contemplar desafios comuns a diferentes portes de operação.

Quais temas de gestão são mais discutidos em congressos do setor de restaurantes?

Controle de custos (food cost e CMV), precificação, gestão de equipe, tecnologia operacional e análise de cardápio estão entre os temas recorrentes. A rentabilidade por prato e o ponto de equilíbrio ganham cada vez mais espaço nas pautas.

A automação com robôs e IA já é realidade para restaurantes no Brasil?

Soluções de automação física ainda são mais comuns em operações de grande escala ou redes com alto volume. Para a maioria dos restaurantes brasileiros, a inovação mais acessível está em sistemas de gestão integrados, cardápios digitais e ferramentas de análise de desempenho.

Como saber se meu restaurante está precificando corretamente antes de um evento como esse?

O ponto de partida é calcular o food cost real de cada item e comparar com o preço de venda praticado. Se você não tem esse controle, ferramentas como a Calculadora de Food Cost e a de Precificação do SetorFood permitem fazer esse diagnóstico rapidamente.

Vale a pena acompanhar o congresso à distância se não for possível comparecer presencialmente?

Sim. Muitos eventos do setor disponibilizam transmissões, resumos e materiais pós-evento. Acompanhar a cobertura especializada e os temas debatidos já permite identificar tendências e boas práticas aplicáveis ao seu negócio.

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